Combate de Cormorant

No dia 1º de julho de 1850, aconteceu em Paranaguá o “Combate de Cormorant”, quando o forte da Ilha do Mel bombardeou um navio inglês, com repercussão internacional, e tendo influenciado na elaboração da lei Euzébio de Queiroz, que proibiu o tráfico de escravos africanos para o Brasil.

Em 1898 o historiador Romário Martins publicou o livro “Combate de Cormarant”, onde descreve esse importante acontecimento da história do Paraná.

O navio inglês, com tripulação de 200 marinheiros, sob o comando do capitão Hubert Schumberg, entrou na baía de Paranaguá, em fins de junho de 1850, para prender embarcações sob o pretexto de serem transportadoras de escravos africanos, sem dar satisfação às autoridades do país e muito menos à alfandega de Paranaguá. Agiram com arrogância e apresaram alguns navios.

Diante da afronta dos ingleses, Romário Martins mostra que “a mocidade chamou a si essa resposta. Os briosos moços paranaguenses… combinaram o plano da desforra e foram esculpir nas muralhas de fortaleza da barra as armas tradicionais do seu valor antigo e do seu provado heroísmo”.

Na noite de 29 de junho de 1850 uma plêiade de jovens se dirigiram para a Ilha do Mel e, liderados por Manoel Ricardo Carneiro, convenceram o comandante do Forte, capitão Joaquim Ferreira Barbosa, a colocar a fortaleza “a serviço do patriotismo, da resistência e do triunfo”. E assim travou-se a luta. “Durante 30 minutos – diz Romário – foi vivo e tremendo o canhoneio”.

O fato de um navio inglês ser bombardeado e avariado em Paranaguá repercutiu em todo o mundo e apressou a edição da lei Euzébio de Queiroz.

Romário Martins conclui afirmando: “Finalizando este capítulo, talvez a mais bela página da história deste povo, devido ao valor e ao patriotismo da brilhante mocidade paranaguense, ainda uma vez saudemos essa legião heroica, que impediu no dia 1º julho de 1850, que o pavilhão nacional fosse arriado do tope de nossos navios, sem uma repulsa, digna e sem um protesto de sangue. Honra a essa espartana gente, tradição imortal do nosso vigor antigo e legendários intérpretes do civismo brasileiro”.

Fonte: Jornal de Beltrão.