Um lobo marinho está vivendo na praia das Encantadas, na Ilha do Mel, há cerca de três meses. De acordo com frequentadores da praia, o animal vem sendo alimentado e mantido em contato com gelo enquanto não retorna ao seu habitat.

Apesar de moradores afirmarem que o lobo marinho, batizado de “Fofoca”, está sendo bem tratado, a turismóloga Maria Estela Afonso, 41, afirma que o animal está sendo alimentado com frituras e é mantido no local por ser uma atração turística.

“Estão dando [ao animal] bala, peixe frito, pastel, carne, bolacha e até cerveja. No último sábado, estive lá e até chorei porque pensei que ela estivesse morta porque estava muito cansada”, afirma Maria Estela, que diz ter procurado órgãos ambientais.

“O lobo marinho precisa ir para o habitat dele, junto com seus companheiros, que devem estar no Uruguai. Liguei para diversos órgãos, mas me disseram que estão conscientizando a população a não alimentar o animal. Mas como vão conseguir conscientizar cinco mil pessoas na alta temporada?”

De acordo com o autônomo Osmair Bittencourt, 41, “Fofoca” está sendo bem tratada, mas ele também pede uma providência antes da alta temporada do litoral. “Todos estão cuidando bem dela, não é verdade que está sendo mal tratada. Mas é preciso que alguém tome uma providência, porque essa praia fica muita cheia”, afirma Bittencourt, que mora na região.

A Força Verde, braço da Polícia Militar Ambiental em Ilha Bela, confirmou que o animal está na Ilha mais tempo do que o normal e que isso está ocorrendo porque ele está sendo alimentado. O órgão informou ainda que o Centro de Estudos do Mar (CEM) está monitorando no animal.

Segundo Camila Camila Domit, coordenadora do laboratório de mamíferos marinhos do Centro de Estudos do Mar (CEM, da UFPR), é justamente esse cuidado de moradores e veranistas que tem prejudicado o fluxo migratório natural do lobo marinho.

“Todos os anos, os lobos marinhos veem se alimentar no nosso litoral e depois voltam para o Uruguai e a Argentina, onde se reproduzem. Somente neste ano, vieram mais de 15 desses animais para cá. O problema é que as pessoas acreditam que o bicho esteja sofrendo na praia e querem cuidar dele. O animal, na verdade, está ali para descansar e se alimentar naturalmente”, explica Camila.

A bióloga do CEM afirma que a situação desse lobo marinho ficou diferente quando um grupo de veranistas ficou com “dó” do animal e o levou para a sede do órgão. “O grupo o transportou e ele ficou assustado. Esse lobo marinho já tem até página no facebook porque as pessoas transferem para o animal suas necessidades e não é assim que deve ser”.

De acordo com Camila, caso “Fofoca” não siga seu rumo natural até o próximo fim de semana, será adotada uma estratégia de reinserção dela ao oceano. “Apesar de não ser o ideal, teremos de conte-lo, examiná-lo e devolve-lo ao mar o mais longe possível da costa”, afirma.

Procurado pela reportagem, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) reafirmou as palavras da bióloga do CEM e afirmou que realizou um trabalho de conscientização com a população local para evitar que o animal seja alimentado, está monitorando a situação e que, caso haja necessidade, tomará outras medidas para que “Fofoca” volte ao seu habitat natural.

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